O grupo de peregrinos estava andando junto há dois dias e era muito unido e feliz. Haviam se conhecido ali mesmo, no Caminho, e já eram como uma família. Eu e Carla fazíamos parte dela agora. Era uma alegria constante. Cada um andava no seu ritmo, mas todos ficavam sempre atentos a seus companheiros. Sempre marcavam de encontrar-se no pueblo seguinte e ver se estavam todos bem. Saindo de Sto. Domingo, andamos juntos por algum tempo, e depois o grupo foi se separando. Quando cheguei no lugar marcado para a primeira parada, estava ardendo em febre e meus amigos me socorreram. Esperaram até que eu melhorasse um pouco para depois continuar a jornada. Fiquei emocionada com tudo aquilo. Senti-me amparada. Encontrei naquele grupo a força, o companheirismo, o real espírito da peregrinação. E o sonho pareceu-me muito mais colorido, mais vivo.
Um desses peregrinos era um menino de onze anos, chamado Juan Andrés e fazia o Caminho com uma amiga de sua mãe, Fresia. Ela, uma chilena muito politizada, culta e amorosa. Ele, muito calado e distante, mas quando deixava de lado a falsa timidez, mostrava sabedoria em suas frases. Tinha perdido o pai há pouco tempo e sua força me surpreendeu. Dificilmente um garoto da sua idade estaria tão inteiro, diante de uma situação difícil como a morte. Fiquei impressionada ao saber que ele próprio escolhera passar suas férias no Caminho de Santiago. Era realmente um menino especial.

Um desses peregrinos era um menino de onze anos, chamado Juan Andrés e fazia o Caminho com uma amiga de sua mãe, Fresia. Ela, uma chilena muito politizada, culta e amorosa. Ele, muito calado e distante, mas quando deixava de lado a falsa timidez, mostrava sabedoria em suas frases. Tinha perdido o pai há pouco tempo e sua força me surpreendeu. Dificilmente um garoto da sua idade estaria tão inteiro, diante de uma situação difícil como a morte. Fiquei impressionada ao saber que ele próprio escolhera passar suas férias no Caminho de Santiago. Era realmente um menino especial.

A caminhada até Belorado foi alegre. Conversamos bastante sobre a situação de nossos países e dos motivos de peregrinação de cada um. Fazia sol e ao nosso redor podíamos ver as montanhas cobertas de neve, o que para mim foi uma novidade e tanto! Passando pelos pueblos, comecei a perceber novamente o mundo que estava à minha volta. O Caminho começava a despertar um interesse diferente em mim. Estranho dizer isso, mas deixei-me conhecer muito mais facilmente naquele momento. Com a companhia de gente tão especial, senti-me confortável em dar e receber carinho. Sou uma pessoa um tanto reservada e aprendi a doar-me sem preconceitos, sem desconfiança. A conversa fluía com naturalidade e os idiomas não atrapalhavam. A diversidade de objetivos, o poder, o dinheiro e a individualidade do ser humano, não existiam naquela utopia que estávamos experimentando.
Quando chegamos ao albergue, a hospitaleira nos esperava com uma mesa farta e um sorriso amigo no rosto. Tudo começava a fluir e fazer sentido para mim. Sentia-me à vontade e em família. Os amigos chegando, cheios de alegria, reunindo-se para providenciar um jantar para os demais. Fiquei um pouco constrangida quando não aceitaram minha colaboração. Eu me sentia na obrigação de agradecer todo o carinho e, de certa forma, me redimir da gafe do dia anterior, quando ofereci minha comida esperando que ninguém a aceitasse. Então, propus à Carla que fizéssemos lanches para o dia seguinte. Compramos pão, atum e queijo. Preparamos mais de vinte sanduíches. Embalamos tudo e guardamos na geladeira.

Mais uma vez, o jantar foi uma festa! Uma maravilhosa confraternização. Diego, um peregrino italiano, foi o responsável pela melhor massa que comi em minha vida. Costumes e nacionalidades diferentes interagiam entre si, com uma facilidade incomum. A exemplo da noite anterior, conversamos até tarde. Foi divertidíssimo! Cada um cantou uma música de seu país, contamos piadas e brindamos com muito vinho a felicidade de estarmos ali. Depois, deitei-me e dormi sob a luz do luar, que iluminava minha cama, através da janela.
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