segunda-feira, 25 de agosto de 2008

FAZENDA MILHÃ – MOMBUCA – 7º DIA

Depois de uma noite mal dormida e sentindo muito frio, acordei mal humorada. Sabe aqueles dias que você não deseja olhar para a cara de ninguém? Pois é, a Cristina, dona da Milhã, apareceu para se despedir de nós. Quando ela perguntou se havíamos passado a noite bem, todos, sem exceção, “soltaram as bruxas”. Pelo jeito, eu não era a única que havia acordado com o pé esquerdo. Depois, ao conhecer melhor a Cristina, me arrependi de ter participado do motim. Isso só aconteceu quando retornei ao caminho do Sol como voluntária.


Saindo da Milhã “a milhão”, não queria passar mais nem um segundo sequer ali, segui me perguntando o porquê de não ter desistido daquele Caminho lá em Cabreúva. Bom, já estava ali mesmo, o negócio era continuar. O pior foi constatar que a poucos quilômetros dali, tinha uma cidade. Aí sim, fiquei muito brava! Eu havia perguntado ao pessoal da Milhã se não havia um hotel ou pousada para dormir perto dali e todos me disseram que não. Cheguei à cidade em menos de uma hora caminhando, o que significava uns dez minutos de carro! Ali eu juro que quase desisti! Minha vontade era entrar em todas as lojas, fazer compras, gastar o meu cartão de crédito e voltar para o Rio carregada de lembrancinhas da minha viagem turística pelo interior de São Paulo. Porém, mesmo contrariando meus instintos consumistas e supérfluos, refleti que faltava muito pouco para chegar ao final do Caminho e resolvi mais uma vez que não iria “amarelar”.


O Caminho resolveu dar uma forcinha e a saída de Capivari era bem bonitinha. Muito calor, sol forte, mas eu estava recuperando meu humor. Segui calada até a casa da família Bianchini, que conforme relatos, recebia os peregrinos com muito carinho. Naquele dia nada poderia dar muito certo. A família não se encontrava em casa, pois um parente havia falecido. Um rapaz nos recebeu e fez questão de nos mostrar o enorme alambique, as pingas produzidas por eles. Restou-me provar várias delas, até ficar meio tonta e seguir caminho “alegre”. Dali pra frente, nada mais me fez pensar em coisas ruins. Caminhei sozinha, calada e tentando descobrir por que aquele caminho me levava a enfrentar meus maiores defeitos. Ali estava eu: sem máscaras, totalmente nua, enxergando minha face mais horrenda. Logo eu, a simpática, a falante, a mais bem humorada da turma, a mais querida. Como as pessoas conseguiam gostar de mim e me achar legal? Nem eu estava me agüentando!


Mergulhada em meus defeitos, cheguei em Mombuca e fui recebida por Kátia, a hospitaleira. Logo vi as fotos na parede do albergue. Eram todas do caminho de Santiago. Era tudo que eu queria! Alguém para dividir minhas experiências do caminho espanhol! O albergue era super aconchegante, todo místico, colorido e arrumado. Não queria mais sair dali! Tomei um bom banho e subi para fazer um lanche. Kátia havia preparado bolo e outras guloseimas para acompanhar o cafezinho. Tudo delicioso! Saí para dar uma volta pela cidadezinha. É muito gostosa, daquelas que a gente tem vontade de passar os últimos anos de vida, acompanhada do companheiro, cheia de netinhos em volta.

Voltei para o albergue e fiquei conversando com a Kátia sobre o Caminho de Santiago. Ela me mostrou os álbuns das peregrinações pela Espanha. Senti-me em casa. Zico aproximou-se e participou animado da conversa. Acho que ambos estávamos buscando esse elo. O grupo estava dividido e eu me sentia excluída. Logo eu, a simpática e querida por todos. Isso foi um duro golpe na minha vaidade. E eu nunca havia percebido que precisava desse tipo exclusivo de atenção. O Caminho do Sol começava a me ensinar as coisas da vida real. Por isso era tão duro! Mas, como dizem por aí: “Não há crescimento sem sofrimento”.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ainda acompanhando!!!
Deixando um beijo grande!!!

Ana - mãe da Alice

Anônimo disse...

Xu quimeu computador tá com defeito: não sai de MOmbuca de jeito nenhum. E olhe que ainda faltam 4 dias de caminhada! Vamuquivamuuuuuuuu: queremos ler o restante!
Abraços,
Artur