Ainda sobre a noite em Elias Fausto, na casa do Serra, uma coisa me chamou a atenção. Os vasos não tinham assento. O que para nós representava falta de higiene, para algumas pessoas do interior era justamente o contrário. Certa vez, visitei com o “Chefanjo” (um voluntário do Caminho do Sol) uma fazenda que poderia servir de albergue para o enorme número de peregrinos que fariam a caminhada de aniversário do Caminho do Sol e o dono do lugar nos contou que era anti-higiênico sentar-se num assento. Coisas do Caminho...
Voltando ao café da manhã, que por sinal estava demasiadamente gostoso, estávamos todos à mesa. O grupo começava a se unir um pouco mais. Ainda não era o companheirismo de Santiago. E eu sabia que era passada a hora de fazer comparações entre um caminho e outro, mas era inevitável. Naquele dia passaríamos pela casa que pertenceu a Assis Chateaubriant. Eu estava empolgada! Era um marco histórico no caminho.
Saindo do Serra, passamos por um pequeno comércio, um lago e lá estava ela: a famosa casa de Chateaubriant. Foi uma grande decepção! Eu havia criado uma grande expectativa, achando que encontraria uma espécie de museu ou, ao menos, uma casa com os móveis e um pedaço da vida do cara que pudesse ser visitada. Nada! Era apenas um lugar que pertenceu a ele, e só. Dali pra frente, a empolgação diminuiu. Para completar, adentramos o canavial, que estava bastante alto e não víamos nada além do caminho a seguir. Sem paisagens, sem história. Mas ainda seria pior. O sol começou a “rachar coco”, não agüentava mais de tanto calor! Tinha somente uma garrafinha de água e tive que fazer racionamento.
De repente, surgiu uma clareira na paisagem e o que vi me remeteu à música de Zé Ramalho que fala assim:
— “Ê, ô, ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz”.
Eram vários bóias-frias sentados na beira da estrada de terra, descansando da primeira jornada de trabalho. Havia todo o tipo de gente: mulher, homem, senhor, senhora, menos crianças. Ainda bem! Era menos de onze da manhã e eles já tinham trabalhado, almoçado e se preparavam para o segundo tempo de “ralação”. Ali eu vi que estava de mau humor à toa. Eu estava caminhando por entre os pés de cana, por vontade própria, preocupada apenas em chegar no próximo albergue. Eu fazia turismo, meditação, peregrinação, seja lá que nome daria a isso, mas eu não tinha a mínima razão em reclamar. Sei que dali em diante, mesmo sob sol forte, morrendo de sede e fome, continuei pelo canavial até a fazenda Milhã pensando na dureza de vida que o nosso povo leva. Nós da cidade grande não nos damos conta que, para termos aquele açúcar refinado, branquinho e docinho em casa, aquela gente trabalha duro!
Ainda dei mil voltas pela estrada de terra cortando o canavial e logo após contornar um lindo lago cheguei à fazenda Milhã. Estava exausta! Zico estava sentado na varanda, descansando os pés. Tirei a mochila e fui direto até a geladeira e peguei uma cerveja! Afinal de contas, eu merecia! Em seguida, um refrigerante bem gelado e dois copos de água! Antes de relaxar o corpo, ainda tomei um belo banho frio! Estava pronta para provar a comida típica da fazenda e curtir o fim do dia.
Devidamente alimentada, segui com D. Ondina (uma simpática senhora, mãe da Cristina, dona da Milhã) até o jardim japonês. Nunca tinha visto nada tão fascinante. Muito menos imaginar que tal lugar fosse ao redor de uma casa. Era enorme e lindo! Tinha de tudo, bonsais, ponte, riozinho...
Ainda visitando a fazenda, fomos até uma casa do século XVIII. Pé direito alto, aquelas janelas de madeira maciça e paredes grossas, tudo muito rústico e também um pouco abandonado. D. Ondina nos explicou que a casa seria reformada para breves “instalações peregrinas”. Era um lugar que eu gostaria de voltar. Ainda não sabia se caminhando ou de carro (risos).
Já era noite e nos arrumamos para dormir. Diferentemente do que aconteceu de dia, passamos muito frio. Quase todos estavam sem dormir, irritados, reclamando que a casa não tinha forro. Os sacos de dormir não serviram de nada e os cobertores alugados pelas senhoras de Holambra tampouco. A noite foi longa e gelada!
Voltando ao café da manhã, que por sinal estava demasiadamente gostoso, estávamos todos à mesa. O grupo começava a se unir um pouco mais. Ainda não era o companheirismo de Santiago. E eu sabia que era passada a hora de fazer comparações entre um caminho e outro, mas era inevitável. Naquele dia passaríamos pela casa que pertenceu a Assis Chateaubriant. Eu estava empolgada! Era um marco histórico no caminho.
Saindo do Serra, passamos por um pequeno comércio, um lago e lá estava ela: a famosa casa de Chateaubriant. Foi uma grande decepção! Eu havia criado uma grande expectativa, achando que encontraria uma espécie de museu ou, ao menos, uma casa com os móveis e um pedaço da vida do cara que pudesse ser visitada. Nada! Era apenas um lugar que pertenceu a ele, e só. Dali pra frente, a empolgação diminuiu. Para completar, adentramos o canavial, que estava bastante alto e não víamos nada além do caminho a seguir. Sem paisagens, sem história. Mas ainda seria pior. O sol começou a “rachar coco”, não agüentava mais de tanto calor! Tinha somente uma garrafinha de água e tive que fazer racionamento.
De repente, surgiu uma clareira na paisagem e o que vi me remeteu à música de Zé Ramalho que fala assim:
— “Ê, ô, ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz”.
Eram vários bóias-frias sentados na beira da estrada de terra, descansando da primeira jornada de trabalho. Havia todo o tipo de gente: mulher, homem, senhor, senhora, menos crianças. Ainda bem! Era menos de onze da manhã e eles já tinham trabalhado, almoçado e se preparavam para o segundo tempo de “ralação”. Ali eu vi que estava de mau humor à toa. Eu estava caminhando por entre os pés de cana, por vontade própria, preocupada apenas em chegar no próximo albergue. Eu fazia turismo, meditação, peregrinação, seja lá que nome daria a isso, mas eu não tinha a mínima razão em reclamar. Sei que dali em diante, mesmo sob sol forte, morrendo de sede e fome, continuei pelo canavial até a fazenda Milhã pensando na dureza de vida que o nosso povo leva. Nós da cidade grande não nos damos conta que, para termos aquele açúcar refinado, branquinho e docinho em casa, aquela gente trabalha duro!
Ainda dei mil voltas pela estrada de terra cortando o canavial e logo após contornar um lindo lago cheguei à fazenda Milhã. Estava exausta! Zico estava sentado na varanda, descansando os pés. Tirei a mochila e fui direto até a geladeira e peguei uma cerveja! Afinal de contas, eu merecia! Em seguida, um refrigerante bem gelado e dois copos de água! Antes de relaxar o corpo, ainda tomei um belo banho frio! Estava pronta para provar a comida típica da fazenda e curtir o fim do dia.
Devidamente alimentada, segui com D. Ondina (uma simpática senhora, mãe da Cristina, dona da Milhã) até o jardim japonês. Nunca tinha visto nada tão fascinante. Muito menos imaginar que tal lugar fosse ao redor de uma casa. Era enorme e lindo! Tinha de tudo, bonsais, ponte, riozinho...
Ainda visitando a fazenda, fomos até uma casa do século XVIII. Pé direito alto, aquelas janelas de madeira maciça e paredes grossas, tudo muito rústico e também um pouco abandonado. D. Ondina nos explicou que a casa seria reformada para breves “instalações peregrinas”. Era um lugar que eu gostaria de voltar. Ainda não sabia se caminhando ou de carro (risos).
Já era noite e nos arrumamos para dormir. Diferentemente do que aconteceu de dia, passamos muito frio. Quase todos estavam sem dormir, irritados, reclamando que a casa não tinha forro. Os sacos de dormir não serviram de nada e os cobertores alugados pelas senhoras de Holambra tampouco. A noite foi longa e gelada!
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