Logo que cheguei ao Rio, em todos os lugares que ia, me perguntavam sobre a viagem. Eu ficava toda boba, contava cada detalhe e demorei a perceber que as pessoas perguntavam por educação. Quase ninguém queria saber realmente como era estar no Caminho de Santiago. Restava-me encher o saco dos que me perguntavam ou voltar para a lista de discussão na internet. Lá era minha casa, meu ambiente. Eu podia das dicas, contar as histórias, trocar informações. E foi numa dessas conversas que fiz uma grande amiga, que seria minha companheira nas madrugadas: Ana.
Na semana seguinte da minha volta ao Rio, fui à reuniçao da AACS na Casa de Espanha. Eu era uma das convidadas especiais, porque estava "fresquinha" e podia contar tudo sobre Compostela. Fui uma emoção enorme poder reviver por alguns minutos o Caminho de novo. Cada episódio que eu contava, eu via nos olhos dos espectadores aquela vontade de viver a mesma experiência. Naquele dia, eu estava do outro lado. Era eu que inspirava as pessoas a fazer o Caminho. Mesmo encontrando os amigos sa AACS, enturmada com quem queria ouvir sobre a minha viagem, ainda não estava satisfeita. Eu queria voltar ao Caminho.
Eu não tinha dinheiro para voltar, tampouco um projeto mirabolante que alguém patrocinasse. Tive que me contentar com as noites na internet e com o relato que comecei a escrever. Fiquei pensando que nós deveríamos ser preparados para lidar com os sentimentos na volta. É a parte mais difícil da caminhada. Como viver o que foi aprendido no Caminho na vida atribulada e prática do dia a dia? Como lidar com a tristeza de estar longe da rotina de colocar a mochila nas costas e caminhar sem preocupações? De não ter setas, nem cajado para nos apoiarmos?
Na semana seguinte da minha volta ao Rio, fui à reuniçao da AACS na Casa de Espanha. Eu era uma das convidadas especiais, porque estava "fresquinha" e podia contar tudo sobre Compostela. Fui uma emoção enorme poder reviver por alguns minutos o Caminho de novo. Cada episódio que eu contava, eu via nos olhos dos espectadores aquela vontade de viver a mesma experiência. Naquele dia, eu estava do outro lado. Era eu que inspirava as pessoas a fazer o Caminho. Mesmo encontrando os amigos sa AACS, enturmada com quem queria ouvir sobre a minha viagem, ainda não estava satisfeita. Eu queria voltar ao Caminho.
Eu não tinha dinheiro para voltar, tampouco um projeto mirabolante que alguém patrocinasse. Tive que me contentar com as noites na internet e com o relato que comecei a escrever. Fiquei pensando que nós deveríamos ser preparados para lidar com os sentimentos na volta. É a parte mais difícil da caminhada. Como viver o que foi aprendido no Caminho na vida atribulada e prática do dia a dia? Como lidar com a tristeza de estar longe da rotina de colocar a mochila nas costas e caminhar sem preocupações? De não ter setas, nem cajado para nos apoiarmos?
Quantas madrugadas perdi conectada à camêra na Fonte de Irache, vendo os peregrinos passarem. A Ana sempre comigo, através do messenger. Aquela que visse o peregrino primeiro, passava logo uma mensagem para avisar à outra. Foi muito divertido!
Dois anos se passaram e eu resolvi que era hora de voltar a caminhar. Escolhi um Caminho no Brasil, que era novo e considerado o caminho de Santiago Brasileiro - Caminho do Sol. Será que eu conseguiria reviver Santiago? Encontraria amigos como o Chico, Mônica, Fresia e Calixto? Veria tantas obras de arte e história?
Dois anos se passaram e eu resolvi que era hora de voltar a caminhar. Escolhi um Caminho no Brasil, que era novo e considerado o caminho de Santiago Brasileiro - Caminho do Sol. Será que eu conseguiria reviver Santiago? Encontraria amigos como o Chico, Mônica, Fresia e Calixto? Veria tantas obras de arte e história?
Um comentário:
Ti, adorei o seu relato!
vc fala ...escreve, com a alma e o coração...parabéns!
Nossa...lembrei das nossas madrugadas, foi muito bom né?! Ô saudade...rsrsrsrs
beijão
ANA PUPO
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