
O tempo foi passando e dois anos após o Caminho de Santiago, surgiu a oportunidade de voltar a peregrinar. Eu até podia arriscar tudo e voltar para a Espanha, mas já estava novamente pensando "e se":
-E se eu fosse embora de vez, ser peregrina, depois hospitaleira, daria certo? E se eu não me adaptasse ao estilo de vida "viver de donativos"?
Resolvi ficar pelo Brasil, mas definitivamente faria outra peregrinação. Pesquisei várias opções e escolhi a mais acessível: Caminho do Sol. Era perto do Rio, daria para voltar rápido se surgisse algum trabalho. Não percebi que com esse tipo de pensamento, não estaria totalmente aberta à experiência do Caminho do Sol.
Numa ida a São Paulo para fazer um trabalho, aproveitei para assistir à palestra sobre o Caminho do Sol, com o seu idealizador: Palma. Eu já o conhecia pela internet e pelos encontros dos Amigos do Caminho. Confesso que não dei muita importância para o que ele falou naquele dia. Não registrei que o Caminho do Sol era duro, não havia a mesma beleza histórica de Santiago, tínhamos um roteiro pré-estabelecido para seguir, pois não havia opções de albergues entre uma parada e outra. Eu queria reviver Santiago e achava que qualquer Caminho poderia me oferecer a mesma satisfação. Criei essa expectativa na minha cabeça e mergulhei fundo!
Num domingo, refiz minha mochila com ansiedade. A mesma que vivi antes de ir a Santiago. Até aquele momento, tudo igual. As mesmas roupas, cajado, o tênis que comprei em Pamplona, as papetes, a mochila. Uma pequena diferença: o celular. Passei a noite em claro, imaginando todo o percurso. Será que os novos amigos matariam minha saudade do Chico, Calixto e Mônica? Encontraria alguém para me acompanhar nos cafézinhos, para me chamar de "véio do rio" ou me proteger de algum engraçadinho com as mãos bobas?
Segunda-feira cedinho, embarquei no ônibus que me levaria a São Paulo, onde encontraria Palma. Já no guichê, fiz amizade com Felipe, um peregrino de Santiago, que estava indo ao Consulado Espanhol pegar sua cidadania e embarcara para Barcelona. Não poderia ser mais inspirador! Nas seis horas seguintes, conversamos sobre Santiago. Tudo estava conspirando para que eu revivesse o Caminho! Estava muito feliz!
À noite, encontrei o Palma e seguimos para Santana de Parnaíba, onde começa o Caminho do Sol. Tentamos comer a pizza mais famosa da cidade, mas chegamos tarde e tudo estava fechado. Santana de Parnaíba é uma cidadezinha simpática. Aquelas com igreja, pracinha e casarões antigos. Fomos para a Pousada 1896, onde Emanoel nos recebeu. Um homem simpático, cheio de história para contar. Fui acomodada em um quarto com outras pessoas que pernoitavam na cidade. Não me importei em não ficar somente com peregrinos, mas deveria. A noite foi uma sinfonia de roncos! Tive que colocar meu Cd Player para trabalhar. Dormi ao som de Gil.
Pela manhã, como sempre fazia em Santiago, saboreei o café com leite e pão com manteiga. Enchi meu cantil e fiquei esperando pelo grupo de peregrinos: uma da capital, Rosana; um do interior, que já tinha feito Compostela, Zico; três mulheres do interior, da cidade de Holambra II, Petra, Cris e Shirley e Ney, também de São Paulo. Começava ali o meu Caminho do Sol.
-E se eu fosse embora de vez, ser peregrina, depois hospitaleira, daria certo? E se eu não me adaptasse ao estilo de vida "viver de donativos"?
Resolvi ficar pelo Brasil, mas definitivamente faria outra peregrinação. Pesquisei várias opções e escolhi a mais acessível: Caminho do Sol. Era perto do Rio, daria para voltar rápido se surgisse algum trabalho. Não percebi que com esse tipo de pensamento, não estaria totalmente aberta à experiência do Caminho do Sol.
Numa ida a São Paulo para fazer um trabalho, aproveitei para assistir à palestra sobre o Caminho do Sol, com o seu idealizador: Palma. Eu já o conhecia pela internet e pelos encontros dos Amigos do Caminho. Confesso que não dei muita importância para o que ele falou naquele dia. Não registrei que o Caminho do Sol era duro, não havia a mesma beleza histórica de Santiago, tínhamos um roteiro pré-estabelecido para seguir, pois não havia opções de albergues entre uma parada e outra. Eu queria reviver Santiago e achava que qualquer Caminho poderia me oferecer a mesma satisfação. Criei essa expectativa na minha cabeça e mergulhei fundo!
Num domingo, refiz minha mochila com ansiedade. A mesma que vivi antes de ir a Santiago. Até aquele momento, tudo igual. As mesmas roupas, cajado, o tênis que comprei em Pamplona, as papetes, a mochila. Uma pequena diferença: o celular. Passei a noite em claro, imaginando todo o percurso. Será que os novos amigos matariam minha saudade do Chico, Calixto e Mônica? Encontraria alguém para me acompanhar nos cafézinhos, para me chamar de "véio do rio" ou me proteger de algum engraçadinho com as mãos bobas?
Segunda-feira cedinho, embarquei no ônibus que me levaria a São Paulo, onde encontraria Palma. Já no guichê, fiz amizade com Felipe, um peregrino de Santiago, que estava indo ao Consulado Espanhol pegar sua cidadania e embarcara para Barcelona. Não poderia ser mais inspirador! Nas seis horas seguintes, conversamos sobre Santiago. Tudo estava conspirando para que eu revivesse o Caminho! Estava muito feliz!
À noite, encontrei o Palma e seguimos para Santana de Parnaíba, onde começa o Caminho do Sol. Tentamos comer a pizza mais famosa da cidade, mas chegamos tarde e tudo estava fechado. Santana de Parnaíba é uma cidadezinha simpática. Aquelas com igreja, pracinha e casarões antigos. Fomos para a Pousada 1896, onde Emanoel nos recebeu. Um homem simpático, cheio de história para contar. Fui acomodada em um quarto com outras pessoas que pernoitavam na cidade. Não me importei em não ficar somente com peregrinos, mas deveria. A noite foi uma sinfonia de roncos! Tive que colocar meu Cd Player para trabalhar. Dormi ao som de Gil.
Pela manhã, como sempre fazia em Santiago, saboreei o café com leite e pão com manteiga. Enchi meu cantil e fiquei esperando pelo grupo de peregrinos: uma da capital, Rosana; um do interior, que já tinha feito Compostela, Zico; três mulheres do interior, da cidade de Holambra II, Petra, Cris e Shirley e Ney, também de São Paulo. Começava ali o meu Caminho do Sol.
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