Fui para a Espanha acompanhada de uma grande amiga: Camilla. Ela foi peregrina no Caminho do Sol e depois hospitaleira e voluntária. Encontramos em Barcelona o nosso Chefanjo, apelido carinhoso recebido pelo Artur, líder da turma de "anjos" do Caminho do Sol, responsáveis pelas "nuvens" de lanches e carinho no meio do canavial.
Chegamos por Barcelona e seguimos de carro até Zaragoza (vale a visita), Burgos e León. De lá, seguimos de ônibus até Astorga. Eu estava em êxtase, vendo pela janela o caminho que havia percorrido em abril de 2001, relembrando os passos entre León - Villadango - Astorga. Parecia que tudo havia ficado da mesma forma: as flechas amarelas, as vieiras, os peregrinos que iam passando, os acenos, os sorrisos. A exceção era a quantidade enorme de placas indicando bares e albergues. Eram muitas!
Pelo meu celular, ia acompanhando a nossa localização no mapa. Era a última curva e já entraríamos em Astorga. Reconheci a escadaria que subi à pé 15 anos atrás, as muralhas, o Palacio Gaudi...
Chegamos! Enfim! Desci do ônibus, mochilas nas costas e coração nas mãos. Fomos caminhando em direção à parte alta da cidade. Subimos por trás do Palacio. Ficaríamos hospedados no Hotel Gaudi, onde combinamos o encontro com vários peregrinos brasileiros que fariam o Caminho em homenagem à peregrina Denise Thiem, cuja vida foi tirada violentamente, em abril de 2015. Tudo nos levou para aquela cidade, naquela data. Fomos conversando pela internet. Alguns já estariam no caminho, outros chegariam depois e eu ainda nem sabia que ia. De repente, tudo foi se encaixando para que pudéssemos começar nosso caminho em Astorga, dia 17 de outubro de 2015.
Entramos no hotel e fizemos nosso check in. Eu não cabia em mim. Pedi licença ao Artur e à Camilla e fui ao encontro dos amigos no albergue. Não aguentei esperar que eles fossem até lá. Vários deles estavam no Caminho. Isabel e a filha vindo da Via de la Plata, Fatima, Karina e Adriana chegando em Astorga naquele dia. cada uma vinha de um ponto do Caminho.
Fui percorrendo as ruas de Astorga, fazendo o percurso contrário ao que os peregrinos seguem ao sair da cidade em direção a Rabanal. Reconhecia cada pedacinho daquele chão. Parecia que eu havia voltado no tempo. É uma sensação indescritível! Ao adentrar o albergue, perguntei à hospitaleira pelas meninas brasileiras. Ela me indicou a escada que ia ao segundo andar e apontou para um homem que estava sentado em um banco da recepção: "Este é o marido da Marilene."
"Não é possível!" - pensei. "Será que é minha amiga Marilene? A mesma que me esperou no final do Caminho do Sol?"
Subi como um raio! Era muita gente boa para abraçar! Nas escadas já escutei umas conversas em português, sabia que estavam ali! Entrei no banheiro e dei boa tarde! Nem lembro que eu abracei primeiro. Sei que a Fatima estava no chuveiro e gritava que não podia sair dali pra me abraçar. Depois entrei no quarto e encontrei a Marilene. Que abraço gostoso! Mais de 10 anos que eu não a via! Sabia que ela estava morando em Ponferrada e estava conversando com ela para visitá-la quando chegasse lá. Que linda suspresa!!! Depois abracei Karina, Adriana, Isabel, Thayse...
Minutos depois, quando já estávamos nos recuperando da emoção, Fatima entra no quarto, me abraça, choramos juntas, rimos juntas, foi uma festa!
O encontro estava marcado para as 19h no hotel. Pedi licença e voltei pra tomar um banho e recuperar um pouco as forças da viagem de carro. Havia 3 dias que estávamos, Camilla, Artur e eu em um ritmo frenético de passeio e estradas desde Barcelona. Ao chegar na recepção do hotel, encontrei Marcia e Wilma, que chegavam de Madri. Mais uma vez aquela festa, um monte de abraços, sorrisos e espírito peregrino.
Depois do banho, desci para o encontro. Aos poucos, as meninas que estavam no albergue foram chegando, Artur e Camilla desceram meio tímidos, pois não participaram das conversas que resultaram naquele encontro. Apenas aceitaram um convite louco, postado no grupo do Caminho do Sol. Camilla ainda me perguntou para saber se era pra valer o convite. E eu disse: "Claro que é!" E assim, eles se juntaram a mim e, consequentemente, ao grupo de peregrinos.
E ali estávamos nós: Marcia, Wilma, Fatima, Karina, Adriana, José, Thayse, Moacir e Isabel, Artur, Camilla e eu. E tantos outros que se juntaram a nós nos dias que se seguiram. Foi uma grande confraternização, coroada com um belo jantar. Regado a pão e vinho, como manda a tradição: "Con pan y vino se hace el camino!"


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