Depois da festa de despedida, tudo me pareceu sem sentido. Eu não tinha mais uma grande meta a alcançar. Não tinha mais etapas a cumprir. Minha vontade era voltar até Roncesvalles e começar tudo de novo. Talvez até recomeçar de Saint Jean e cumprir a parte que, por comodidade ou falta de coragem, eu não havia percorrido. E talvez transformar minha vida em uma eterna peregrinação. Um ir e vir constante, ou ainda, viver em um albergue recebendo e prestando solidariedade aos peregrinos. Como seria viver sem a vaidade, o orgulho e a ambição? Faltava-me ainda a coragem de largar tudo para trás e viver aquela utopia, mas era uma idéia que não saía da minha mente.
Voltei para o albergue no Monte do Gozo. Tinha certeza que lá encontraria minha amiga Monica e com ela dividiria minha emoção. Foi muito emocionante reencontrá-la depois de viver a emoção da chegada. Duro foi ouvir o sermão dela por eu ter quebrado a promessa de esperar por ela no Monte do Gozo. Não resisti! Não conseguiria dormir tão perto do fim e, de quebra, ficar admirando a tão desejada cidade de Santiago de Compostela lá de cima! Tentação demais para uma simples mortal! No final das contas, acabou ficando tudo bem e prometi acompanhá-la no dia seguinte.
Sentamos todos: eu, Mônica e nossos amigos em uma das mesas do refeitório e demos seqüência à “bebemoração”. Ficamos ali até tarde da noite, com exceção dos peregrinos “calouros”, que ainda teriam mais uma noite de descanso pela frente, até receber as bênçãos de Santiago. Deviam ser umas onze horas da noite, quando abriram a pista de dança. Já turbinados, nós “veteranos”, deixamos nossos corpos maltratados por tantos dias de peregrinação, relaxarem ao som das músicas. Sem pudores e sem regras. Cada um na sua viagem interior.
Voltei para o albergue no Monte do Gozo. Tinha certeza que lá encontraria minha amiga Monica e com ela dividiria minha emoção. Foi muito emocionante reencontrá-la depois de viver a emoção da chegada. Duro foi ouvir o sermão dela por eu ter quebrado a promessa de esperar por ela no Monte do Gozo. Não resisti! Não conseguiria dormir tão perto do fim e, de quebra, ficar admirando a tão desejada cidade de Santiago de Compostela lá de cima! Tentação demais para uma simples mortal! No final das contas, acabou ficando tudo bem e prometi acompanhá-la no dia seguinte.
Sentamos todos: eu, Mônica e nossos amigos em uma das mesas do refeitório e demos seqüência à “bebemoração”. Ficamos ali até tarde da noite, com exceção dos peregrinos “calouros”, que ainda teriam mais uma noite de descanso pela frente, até receber as bênçãos de Santiago. Deviam ser umas onze horas da noite, quando abriram a pista de dança. Já turbinados, nós “veteranos”, deixamos nossos corpos maltratados por tantos dias de peregrinação, relaxarem ao som das músicas. Sem pudores e sem regras. Cada um na sua viagem interior.
Olha a cara das meninas!!! rsrsrsNo dia seguinte, acordei cedinho para acompanhar minha amiga Mônica até a Catedral. Fui um pouco na frente, fotografando as emoções dela. Dessa vez ela teria fotos mais decentes para colocar em seu álbum. E não seriam fotos de paisagem! A cada passo, parecia que eu estava chegando em Santiago pela primeira vez. Sentia as mesmas emoções, o mesmo choro, a mesma satisfação! Passamos pelo jovem da gaita e chegamos na Praça do Obradoiro. De novo o riso, o choro, os abraços. O cenário era um pouco diferente. A Catedral parecia mais bonita ainda, com os raios iluminando suas torres. Aos poucos, todos foram chegando. Meus amigos vinham repetir a dose e os outros festejavam o grande momento de suas vidas. Entramos todos juntos na Catedral, que por sorte estava bem mais vazia do que no dia anterior. Pude dar continuidade aos rituais do peregrino: abraçar a enorme imagem de Santiago no altar, ajoelhar-me diante de seu túmulo, agradecendo por ter realizado meu maior sonho e o mais importante de tudo: assistir à Missa em paz!

Acompanhei a Mônica até a Oficina de peregrinos para que ela pegasse sua Compostelana. Depois disso, a magia do Caminho se perdeu novamente e tudo se transformou em uma grande visita turística. Hora de ir às compras, escolher os presentes dos amigos e familiares, pegar o que enviamos pelo correio (as tais coisas supérfluas, entre elas, minhas botas!) e decidir o que fazer com os dias que sobraram. Eu queira muito ir até Finisterre. Podíamos até continuar a peregrinação, mas fomos alertadas de que o Caminho até lá, não estava muito bem sinalizado. Era a hora de andar sobre rodas!
Tivemos uma grande surpresa enquanto seguíamos de volta à Catedral. Vimos um peregrino subindo a rua, acompanhado de seu cajado com a bandeira do Brasil. Era Calixto! Corremos para abraçá-lo! Vinha caminhando com os olhos cheios de lágrimas, muito emocionado e pelo jeito, uns 15kg mais magro! Fizemos a maior festa! Era tanto escândalo, que formou-se uma multidão ao nosso redor! Flashs para todo o lado e muitos aplausos. Depois dos abraços, era a vez da enxurrada de perguntas! Eu queria saber do Chico, a Mônica queria notícias do Emerson, o Calixto perguntava por seu amigo Paco, enfim, ninguém se entendia!

Fomos com ele até o Parador dos Reyes Católicos, um luxuosíssimo hotel, bem ao lado da Catedral. Calixto sempre falava que queria hospedar-se no melhor hotel de Santiago, assim que terminasse o Caminho. E foi o que fez! Quando chegamos, fomos direto à recepção, seguidos por aqueles olhares cheios de preconceito. Logo de cara, o funcionário foi dizendo que não havia vagas para peregrinos, mas quando Calixto sacou de sua pochete um cartão de crédito douradinho, a expressão do tal funcionário mudou na mesma hora! Para comemorar (tudo era motivo para um drink!) seguimos até o bar (não é que eu terminei o Caminho em um bar? Só faltava o Chico!). Encontramos Leonardo (o homem do cavalo branco do primeiro dia) e juntos fizemos outra grande festa!
E assim terminava meu sonho. Ao lado dos amigos, sempre rindo e comemorando, com fé de que a vida devia seguir com aquele espírito peregrino. Ainda encontraria outros amigos antes de voltar ao Brasil, mas se eu fosse contar cada um dos encontros e desencontros detalhadamente, este relato não teria fim. Deixei ainda um recado para meu amigo Chico, na entrada do albergue do Monte do Gozo e segui meu destino.

No dia seguinte, fui com a Mônica para Finisterre, um lugar maravilhoso, cheio de histórias. Era lá que todos imaginavam ser o fim da terra. Dormimos no albergue local, caminhamos até o farol e tentamos fazer o ritual de queimar as roupas, mas havíamos esquecido o álcool. Que roupa pegaria fogo só com fósforo? Achei que isso era um sinal de que deveria guardar minhas roupas para uma futura volta ao Caminho. Quando voltávamos do farol, encontramos David, meu amigo inglês. Almoçamos juntos, trocamos contatos e desde então, só nos falamos por e-mail. À noite, quando chegamos no albergue para descansar, encontramos Carla, minha amiga Sul Africana. Ela resolveu descansar um dia em Finisterre, para só depois voltar ao Monte do Gozo e fazer a etapa final até Santiago. Curioso, não?

Carla e eu em Finisterre

De Finisterre, Mônica e eu pegamos um ônibus até Santiago e, de lá, até Madrid. Em 1994, eu havia passado dois meses lá, trabalhando como modelo. Conhecia bastante a cidade e estava com vontade de rever os lugares. Ficamos hospedadas na Porta do Sol. Passeamos por todos os pontos turísticos: Parque do Retiro, Museu do Prado, Palácio Real e também fomos até Toledo, um dos lugares mais bonitos que já vi na vida! Pude então, matar a saudade de Madrid e, de quebra, depois que a Mônica voltou ao Brasil, fiquei uns dias hospedada na casa da minha amiga Fresia, contando o que havia acontecido nos dias que se seguiram após sua despedida em Burgos, mas nada se comparava à magia de estar no Caminho. Era hora de voltar para casa!

Mônica e eu na Plaza Mayor, MADRI
Um comentário:
Ola Tilara,estou esperando ansiosa para saber o que faço com tanta inqueitude,srrsrss agradeço se colocar o link no buscape, e escreva logo quero saber como faço para acalmar meu coraçãoque ainda continua la..
bjss
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